19 de abril de 2015

Domingo III da Páscoa




A paz
esteja convosco!

Lc 24, 36


Jesus ressuscitou verdadeiramente? Como é que podemos fazer uma experiência de encontro com Jesus ressuscitado? Como é que podemos mostrar ao mundo que Jesus está vivo e continua a oferecer aos homens a salvação? É, fundamentalmente, a estas questões que a liturgia do 3° Domingo da Páscoa procura responder.
O Evangelho assegura-nos que Jesus está vivo e continua a ser o centro à volta do qual se constrói a comunidade dos discípulos. É precisamente nesse contexto eclesial - no encontro comunitário, no diálogo com os irmãos que partilham a mesma fé, na escuta comunitária da Palavra de Deus, no amor partilhado em gestos de fraternidade e de serviço - que os discípulos podem fazer a experiência do encontro com Jesus ressuscitado. Depois desse "encontro", os discípulos são convidados a dar testemunho de Jesus diante dos outros homens e mulheres.
A primeira leitura apresenta-nos, precisamente, o testemunho dos discípulos sobre Jesus. Depois de terem mostrado, em gestos concretos, que Jesus está vivo e continua a oferecer aos homens a salvação, Pedro e João convidam os seus interlocutores a acolherem a proposta de vida que Jesus lhes faz. O que é preciso fazer para que essa oferta de salvação que Deus continua a fazer se torne efetiva? É necessário "arrepender-se" e "converter-se". Estes dois verbos definem o movimento de reorientar a vida para Deus, de forma a que Deus passe a estar no centro da vida do homem e o homem passe a "dar ouvidos" às propostas de Deus e a viver de acordo com os projetos de Deus. Ora, uma vez que Cristo é a manifestação de Deus, "arrepender-se" e "converter-se" significa aderir à pessoa de Cristo, crer n'Ele, acolher o projeto que Ele traz, entrar no Reino que Ele anuncia e propõe.
A segunda leitura lembra que o cristão, depois de encontrar Jesus e de aceitar a vida que Ele oferece, tem de viver de forma coerente com o compromisso que assumiu E essa coerência deve manifestar-se no reconhecimento da debilidade e da fragilidade que fazem parte da realidade humana e num esforço de fidelidade aos mandamentos de Deus.


Liturgia da Palavra do Domingo III de Páscoa

I Leitura                                 Atos 3, 13-15.17-19
«Matastes o autor da vida; mas Deus ressuscitou-o dos mortos»

O plano da salvação, traçado por Deus, cumpriu-se em Jesus Cristo, que realizou todas as profecias do Antigo Testamento. Contudo perante o desígnio de Deus, a atitude dos judeus é de incompreensão: do verdadeiro Servo de Deus fizeram o «Servo sofredor».
Mas Deus ressuscitou Jesus! Ele está vivo e continua a Sua obra de restauração da humanidade. Aqueles que não reconheceram o Messias, quando estava entre eles, têm agora a possibilidade de se converter, pois a Sua ação renovadora continua através dos Sacramentos.

 Salmo    4
Fazei brilhar sobre nós, Senhor, a luz do vosso rosto.

II Leitura:                             1 Jo 2, 1-5a
«Ele é a vítima de propiciação pelos nossos pecados e também pelos do mundo inteiro»

Vencer o mal e responder, de modo perfeito, a Deus, é um ideal que ultrapassa as nossas forças. Não devemos, porém, desanimar. Com efeito, Jesus Cristo, para nos livrar do mal, aceitou ser vítima de expiação por todos nós, tornando-se assim o nosso advogado, o nosso intercessor junto do Pai. Só Ele pode fortificar a nossa fé e sustentar a nossa fidelidade. Exige-se-nos apenas que amemos a Cristo, esforçando-nos por traduzir a nossa fidelidade pela observância dos Seus mandamentos.                

Aclamação ao Evangelho                   Lc 24, 32
Senhor Jesus, abri-nos as Escrituras, falai-nos e inflamai o nosso coração.


Evangelho             Lc 24, 35-48
«Assim está escrito que o Messias havia de sofrer
e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia»

Jesus aparece, visivelmente, aos Apóstolos e convida-os a tocarem o Seu corpo glorificado, a fim de que não subsistam dúvidas acerca da realidade corporal da Sua Ressurreição. Ele não é apenas um espírito imortalizado. Ele ressuscitou também no Seu corpo, como o provam as cicatrizes da Paixão e a refeição tomada diante deles.

A salvação alcançada por Jesus é, na verdade, total. Não abrange apenas a alma. Também o nosso corpo será glorificado. O que é necessário é que o cristão saiba sempre respeitar o seu corpo. Só assim a renovação iniciada com os Sacramentos se tornará, no futuro, «glória incorruptível».

Jesus ressuscitou verdadeiramente, ou a ressurreição é fruto da imaginação dos discípulos? Como é possível ter a certeza da ressurreição? Como encontrar Jesus ressuscitado? Nós, como os primeiros discípulos, temos de percorrer o nem sempre claro caminho da fé, até chegarmos à certeza da ressurreição. Chega-se ao encontro com o Senhor ressuscitado inserindo-nos nesse contexto em que Jesus Se revela - no encontro comunitário, no diálogo com os irmãos que partilham a mesma fé, na escuta comunitária da Palavra de Deus, no amor partilhado em gestos de fraternidade e de serviço. É nesse "caminho" que vamos encontrando Cristo vivo, atuante, presente na nossa vida.
É que Cristo continua presente no meio da sua comunidade em marcha pela história. Quando a comunidade se reúne para escutar a Palavra, Ele está presente e explica aos seus discípulos o sentido das Escrituras. Não sentimos, tantas vezes, a presença de Cristo a indicar-nos caminhos de vida nova e a encher o nosso coração de esperança quando lemos e meditamos a Palavra de Deus? Não sentimos o coração cheio de paz - a paz que Jesus ressuscitado oferece aos seus - quando escutamos e acolhemos as propostas de Deus, quando procuramos conduzir a nossa vida de acordo com o plano de Deus?
O Ressuscitado continua a "sentar-se à mesa" com os seus discípulos, a estabelecer laços com eles, a partilhar as suas inquietações, anseios, dificuldades e esperanças, sempre solidário com a sua comunidade. Podemos descobrir este Jesus ressuscitado que se senta à mesa com os homens sempre que a comunidade se reúne à mesa da Eucaristia, para partilhar esse pão que Jesus deixou e que nos faz tomar consciência da nossa comunhão com Ele e com os irmãos.
Jesus lembra aos discípulos: "vós sois as testemunhas de todas estas coisas". O testemunho que Cristo nos pede passa, mais do que pelas palavras, pelos nossos gestos. Jesus vem, hoje, ao encontro dos homens e oferece-lhes a salvação através dos nossos gestos de acolhimento, de partilha, de serviço, de amor sem limites. São esses gestos que testemunham, diante dos nossos irmãos, que Cristo está vivo e que Ele continua a sua obra de libertação dos homens e do mundo.

Palavra de Deus para a semana de 20 a 25 de abril


20
Seg
Act 6, 8-15 - Salmo 118 (119) - Jo 6, 22-29
Nem só de pão vive o homem,
mas de toda a palavra que sai da boca de Deus
21
Ter
S. Anselmo, bispo e doutor da Igreja – MF
Act 7, 51 – 8, 1ª - Salmo 30 (31) - Jo 6, 30-35
Eu sou o pão da vida, diz o Senhor;
quem vem a Mim nunca mais terá fome.
22
Qua
Act 8, 1b-8 - Salmo 65 (66) - Jo 6, 35-40
Quem acredita no Filho de Deus tem a vida eterna:
Eu o ressuscitarei no último dia, diz o Senhor.
23
Qui
S. Jorge, mártir – MF        S. Adalberto, bispo e mártir – MF
Act 8, 26-40 - Salmo 65 (66) -  Jo 6, 44-51
Eu sou o pão vivo descido do Céu, diz o Senhor.
Quem comer deste pão viverá eternamente.
24
Sex
S. Fiel de Sigmaringa, presbítero e mártir – MF
Act 9, 1-20 - Salmo 116 (117) - Jo 6, 52-59
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue
permanece em mim e Eu nele, diz o Senhor.
25
Sáb
S. Marcos, Evangelista – FESTA
1 Pedro 5, 5b-14 - Salmo 88 (89)  - Mc 16, 15-20
Nós pregamos Cristo crucificado, poder de Deus e sabedoria de Deus.

PREPARANDO A LITURGIA PARA O DOMINGO IV DA PÁSCOA


Actos 4, 8-12                          «Em nenhum outro há salvação»


Salmo   117 (118)               A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular.

1 Jo 3, 1-2                             «Veremos a Deus tal como Ele é»


Jo 10, 11-18                         «O Bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas»

Intenções para a Eucaristia de 19 de abril (10:00h)



Maria da Conceição Soares; José de Azeredo e Silva; Maria da Conceição Moreira, de Vila; Manuel da Silva Pinto e seus familiares; António Soares Pinheiro; Joaquim Santos (falecido em Tuias); José Gomes de Araújo; Associados da Mensagem de Fátima; Ação de Graças e familiares de Maria José Luís, do Lameu


Intenções para a Eucaristia de 19 de abril (9:30h)



Manuel Pinto da Costa; José Pinto da Silva; Maria Emília Ferreira, da Sra. da Piedade; Manuel Vieira Ribeiro, pais e sogros; Manuel Alfredo da Fonseca Soares; Alexandre Joaquim Soares; Fernando Pinto Melo; Fernando Moreira Caetano; Joaquim Moreira e esposa, do Alto; Maria Luísa de Sousa e marido, de Vila Nova; Joaquim Vieira e esposa, das Regadas; Gualter Ferraz Pinto, de Vila Nova; Maria Emília Leal Teixeira; Maria da Conceição Aguiar Pinto e marido; Aniversário natalício de Ana de Jesus Bernardo; António Pereira de Freitas e esposa

Agenda



26 abr
    • Domingo IV da PáscoaEucaristia, Igreja, 9:30h

Para os cristãos, Jesus não é uma figura do passado, que a morte venceu e que ficou sepultado no museu da história; mas é alguém que continua vivo, sempre presente nos caminhos do mundo, oferecendo aos homens uma proposta de vida verdadeira, plena, eterna. Como é que os nossos irmãos que caminham ao nosso lado podem descobrir que Jesus está vivo e fazer uma experiência de encontro com Cristo ressuscitado? Através de documentos históricos que demonstrem cientificamente a realidade da ressurreição? Para Lucas, o fator decisivo para que os homens descubram que Cristo está vivo é o testemunho dos discípulos. Jesus está vivo e apresenta-se aos homens do nosso tempo nos gestos de amor, de partilha, de solidariedade, de perdão, de acolhimento que os cristãos são capazes de fazer; Jesus está vivo e atua hoje no mundo, quando os cristãos se comprometem na luta pela paz, pela justiça, pela liberdade, pelo nascimento de um mundo mais humano, mais fraterno, mais solidário; Jesus está vivo e continua a realizar aqui e agora o projeto de salvação de Deus, quando os seus cristãos oferecem aos coxos a possibilidade de avançar em direção a um futuro de esperança, oferecem aos que vivem nas trevas a capacidade de encontrar a luz e a verdade, oferecem aos prisioneiros a possibilidade de ter voz e de decidir livremente o seu futuro.

O cristão é uma pessoa que aceitou o convite de Deus para escolher a luz e que tem de viver, dia a dia, de forma coerente com o compromisso que assumiu. Não pode comprometer-se com Deus e conduzir a sua vida por caminhos de orgulho, de autossuficiência, de indiferença face a Deus e às suas propostas. A vida do cristão não pode ser uma vida de "meias-tintas", de comodismo, de opções volúveis, de oportunismos, mas tem de ser uma vida consequente, comprometida, exigente.