15 de fevereiro de 2015

Domingo VI do Tempo Comum

Sede a rocha do meu refúgio, Senhor,
e a fortaleza da minha salvação.
Para glória do vosso nome,

guiai-me e conduzi-me.

A liturgia do 6º Domingo do Tempo Comum apresenta-nos um Deus cheio de amor, de bondade e de ternura, que convida todos os homens e todas as mulheres a integrar a comunidade dos filhos amados de Deus. Ele não exclui ninguém nem aceita que, em seu nome, se inventem sistemas de discriminação ou de marginalização dos irmãos.
A primeira leitura apresenta-nos a legislação que definia a forma de tratar com os leprosos. Para a mentalidade tradicional do povo bíblico, Deus distribuía as suas recompensas e os seus castigos de acordo com o comportamento do homem. A doença era sempre um castigo de Deus para os pecados e infidelidades do homem. Impressiona como, a partir de uma imagem deturpada de Deus, os homens são capazes de inventar mecanismos de discriminação e de rejeição em nome de Deus.
A segunda leitura convida os cristãos a terem como prioridade a glória de Deus e o serviço dos irmãos. O exemplo supremo deve ser o de Cristo, que viveu na obediência incondicional aos projetos do Pai e fez da sua vida um dom de amor, ao serviço da libertação dos homens.
A lei do amor deve sobrepor-se a tudo o resto, inclusive aos “direitos” de cada um; e o amor pode exigir que não sejamos, em nenhum caso, um obstáculo nem para a glória de Deus, nem para a salvação dos irmãos. Paulo imita Cristo, que não procurou cumprir a sua vontade, mas a vontade do Pai e que morreu na cruz por amor aos homens, a fim de lhes apontar um caminho de salvação.
O Evangelho diz-nos que, em Jesus, Deus desce ao encontro dos seus filhos vítimas da rejeição e da exclusão, compadece-Se da sua miséria, estende-lhes a mão com amor, liberta-os dos seus sofrimentos, convida-os a integrar a comunidade do “Reino”. Deus não pactua com a discriminação e denuncia como contrários aos seus projetos todos os mecanismos de opressão dos irmãos. A purificação do leproso significa que o “Reino de Deus” chegou ao meio dos homens e anuncia a irrupção desse mundo novo do qual Deus quer banir o sofrimento, a marginalização, a exclusão. A misericórdia, a bondade, a ternura de Deus derramam-se sobre o leproso no gesto salvador de Jesus e dizem-lhe: “Deus ama-te e quer salvar-te”.
A purificação do leproso significa, finalmente,  que o Reino de Deus não pactua com racismos de qualquer espécie: não há bons e maus, doentes e sãos, filhos e enjeitados, incluídos e excluídos; há apenas pessoas com dignidade e que não devem, em caso algum, ser privados dos seus direitos mais elementares, muito menos em nome de Deus.

Liturgia da Palavra do Domingo VI do Tempo Comum

I Leitura                 Lev 13, 1-2.44-46

«O leproso deverá morar à parte, fora do acampamento»

Esta leitura prepara-nos para melhor compreendermos a do Evangelho. Ali Jesus vai curar um doente de lepra. Nesta leitura, são recordadas as prescrições da Lei do Antigo Testamento a respeito dos leprosos. A situação destes doentes era verdadeiramente infeliz. Tanto mais se poderá ver na cura que o Senhor fez um sinal do seu poder e da sua misericórdia.

Salmo     31 (32)

Sois o meu refúgio, Senhor;
dai-me a alegria da vossa salvação.

II Leitura:             1 Cor 10, 31 – 11, 1

«Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo»

Paulo propõe-se a si mesmo como modelo aos cristãos, porque ele tem por modelo o próprio Cristo. O que ele pretende é que ninguém seja ocasião de pecado para os outros, mas antes de edificação e de salvação.

Aclamação ao Evangelho                   Lc 7, 16

Apareceu entre nós um grande profeta:
Deus visitou o seu povo.

Evangelho                             Mc 1, 40-45

«A lepra deixou-o e ele ficou limpo»

Uma vez mais, Jesus Se mostra Senhor da vida. Por outro lado, mostra-Se livre em relação à Lei e superior a ela: toca no doente, o que era contrário à Lei, mas manda que o homem curado se vá mostrar aos sacerdotes, o que era exigência da Lei. Jesus é realmente a fonte da vida nova; Ele é hoje o Ressuscitado.         
                               

O nosso texto fala-nos de um Deus cheio de amor, de bondade e de ternura, que Se faz pessoa e que desce ao encontro dos seus filhos, que lhes apresenta propostas de vida nova e que os convida a viver em comunhão com Ele e a integrar a sua família. É um Deus que não exclui ninguém e que não aceita que, em seu nome, se inventem sistemas de discriminação ou de marginalização dos irmãos.
O Deus que somos convidados a descobrir, a amar, a testemunhar no mundo, é o Deus de Jesus Cristo – isto é, esse Deus que vem ao encontro de cada homem, que Se compadece do seu sofrimento, que lhe estende a mão com ternura, que o purifica, que lhe oferece uma nova vida e que o integra na comunidade do “Reino” (nessa família onde todos têm lugar e onde todos são filhos amados de Deus).
A atitude de Jesus em relação ao leproso (bem como aos outros excluídos da sociedade do seu tempo) é uma atitude de proximidade, de solidariedade, de aceitação. Jesus não está preocupado com o que é política ou religiosamente correcto, ou com a indignidade da pessoa, ou com o perigo que ela representa para uma certa ordem social… Ele apenas vê em cada pessoa um irmão que Deus ama e a quem é preciso estender a mão e amar, também. Como é que lidamos com os excluídos da sociedade ou da Igreja? Procuramos integrar e acolher (os estrangeiros, os marginais, os pecadores, os “diferentes”) ou ajudamos a perpetuar os mecanismos de exclusão e de discriminação?
O leproso, apesar da proibição de Jesus, “começou a apregoar e a divulgar o que acontecera”. Marcos sugere, desta forma, que o encontro com Jesus transforma de tal forma a vida do homem que ele não pode calar a alegria pela novidade que Cristo introduziu na sua vida e tem de dar testemunho. Somos capazes de testemunhar, no meio dos nossos irmãos, a libertação que Cristo nos trouxe?

Palavra de Deus para a semana de 16 a 21 de fevereiro


16
Seg
Gen 4, 1-15. 25 - Salmo 49 (50) - Mc 8, 11-13
Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor.
Ninguém vai ao Pai senão por Mim
17
Ter
SS. Sete Fundadores da Ordem dos Servitas de Nossa Senhora - MF
Gen 6, 5-8 – 7, 1-5. 10 - Salmo 28 (29) - Mc 8, 14-21
«Tende cuidado com o fermento dos fariseus e o fermento de Herodes»
18
Qua
Joel 2, 12-18 - Salmo 50 (51) - 2 Cor 5, 20 – 6, 2 - Mt 6, 1-6. 16-18
Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações.
19
Qui
Deut 30, 15-20 - Salmo 1 - Lc 9, 22-25
Arrependei-vos, diz o Senhor; está próximo o reino dos Céus.
20
Sex
Bb. Francisco e Jacinta Marto – FESTA
Is 58, 1-9a - Salmo 50 (51) - Mt 9, 14-15
Buscai o bem e não o mal, para que vivais, e o Senhor estará convosco
21
Sáb
S. Pedro Damião, bispo e doutor da Igreja
Is 58, 9b-14 - Salmo 85 (86) - Lc 5, 27-32
Eu não quero a morte do pecador, diz o Senhor, mas que se converta e viva.

PREPARANDO A LITURGIA PARA O DOMINGO I DA QUARESMA


Gen 9, 8-15                          A aliança de Deus com Noé, salvo das águas do dilúvio


Salmo    24 (25)                   Todos os vossos caminhos, Senhor, são amor e verdade


1 Pedro 3, 18-22                 «O Batismo que agora vos salva»


Mc 1, 12-15                          «Era tentado por Satanás e os Anjos serviam-n’O»

Intenções para a Eucaristia de 15 de fevereiro (10:00h)



Luísa Pereira e marido, do Alto; Menino Carlos André; Maria da Conceição Soares; José de Azeredo e Silva; Associados da Mensagem de Fátima; José Araújo, das Lapas; da Associação por Manuel Madureira VieiraAniversário falecimento de João Ferreira

Intenções para a Eucaristia de 22 de fevereiro (10:00h)

Manuel da Silva Pinto e seus familiares; Manuel Pinto da Costa; António Pereira de Freitas e esposa; Maria Emília Ferreira, da Sra. da Piedade; 2.º Aniversário falecimento de Manuel Vieira Ribeiro; Manuel Alfredo da Fonseca Soares; Joaquim Moreira e esposa, do Alto; Maria Luísa de Sousa e marido, de Vila Nova; Joaquim Vieira e esposa, das Regadas; Gualter Ferraz Pinto, de Vila Nova; Maria Emília Leal Teixeira; Maria da Conceição Aguiar Pinto e marido; José Pinto da Silva; Alexandre Joaquim Soares; Fernando Pinto Melo; José Gomes de Araújo

Agenda

18 fev
    •  4ª Feira de Cinzas - Imposição das Cinzas, Igreja, 19:00h
22 fev
    • Domingo I Quaresma - Eucaristia, Igreja, 10:00h
    • Adoração ao Santíssimo Sacramento, Igreja, 15:00h         
O texto do Livro do Levítico denuncia a atitude daqueles que, instalados nas suas certezas e seguranças, constroem um Deus à medida do homem e que actua segundo uma lógica humana, injusta, prepotente, criadora de exclusão e de marginalização. Não temos que criar um Deus que actue de acordo com os nossos esquemas mentais, com as nossas lógicas e preconceitos; o que temos é de tentar perceber e acolher a lógica de Deus. O texto convida-nos a repensar as nossas atitudes e comportamentos face aos nossos irmãos e prepara-nos para entender a novidade de Jesus, essa novidade que o Evangelho de hoje nos apresenta: Jesus virá demonstrar que Deus não marginaliza nem exclui ninguém e que todos os homens são chamados a integrar a família dos filhos de Deus.
A liberdade é um valor absoluto?
Devemos defender e afirmar intransigentemente os nossos direitos em todas as circunstâncias? A realização dos nossos projectos pessoais deve ser a nossa principal prioridade?
Paulo deixa claro que, para o cristão, o valor absoluto e ao qual tudo o resto se deve subordinar é o amor. O cristão sabe que, em certas circunstâncias, pode ser convidado a renunciar aos próprios direitos, à própria liberdade, aos próprios projectos porque a caridade ou o bem dos irmãos assim o exigem.
Cristo colocou sempre como prioridade absoluta os planos de Deus e, apesar de ser “mestre” e “Senhor”, multiplicou os gestos de serviço e fez da sua vida uma entrega total aos homens, até à morte. É este mesmo caminho que nos é proposto…
Cada cristão deve ser capaz de prescindir dos seus interesses e esquemas pessoais, a fim de dar prioridade aos projectos de Deus; cada cristão deve ser capaz de ultrapassar o egoísmo e o comodismo, a fim de fazer da sua própria vida um serviço e um dom de amor aos irmãos.