14 de fevereiro de 2015

Caminhada Jovem

 Felizes os pobres em espírito,
          porque deles é o Reino do Céu.
 Felizes os que choram,
          porque serão consolados.
Felizes os mansos,
          porque possuirão a terra.
Felizes os que têm fome e sede de justiça,
          porque serão saciados.
 Felizes os misericordiosos,
          porque alcançarão misericórdia.
 Felizes os puros de coração,
          porque verão a Deus.
Felizes os pacificadores,
          porque serão chamados filhos de Deus.
Felizes os que sofrem perseguição por causa
          da justiça, porque deles é o Reino do Céu.
Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem
          e, mentindo, disserem todo o género de calúnias
          contra vós, por minha causa.
 Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa
          recompensa no Céu; pois também assim
          perseguiram os profetas que vos precederam.

8 de fevereiro de 2015

Domingo V do Tempo Comum

Louvai o Senhor, que salva os corações atribulados.

Que sentido têm o sofrimento e a dor que acompanham a caminhada do homem pela terra? Qual a “posição” de Deus face aos dramas que marcam a nossa existência? A liturgia do 5º Domingo do Tempo Comum garante-nos que o projeto de Deus para o homem não é um projeto de morte, mas é um projeto de vida verdadeira, de felicidade sem fim.
Na primeira leitura, um crente chamado Job comenta, com amargura e desilusão, o facto de a sua vida estar marcada por um sofrimento atroz e de Deus parecer ausente e indiferente face ao desespero em que a sua existência decorre… Apesar disso, é a Deus que Job se dirige, pois sabe que Deus é a sua única esperança e que fora d’Ele não há possibilidade de salvação. A oração de Job está carregada de desespero, de amargura e de revolta contra esse Deus incompreensível e prepotente que Se recusa a pôr um fim ao drama do seu amigo Job. O grito de revolta de Job brota de um coração dolorido e sem esperança e é a expressão da angústia de um homem que, na sua miséria, se sente injustiçado e condenado pelo próprio Deus; mas é também o grito do crente que sabe que só em Deus pode encontrar a esperança e o sentido para a sua existência.
A segunda leitura sublinha, especialmente, a obrigação que os discípulos de Jesus assumiram no sentido de testemunhar diante de todos os homens a proposta libertadora de Jesus. Na sua ação e no seu testemunho, os discípulos de Jesus não podem ser guiados por interesses pessoais, mas sim pelo amor a Deus, ao Evangelho e aos irmãos. A partir do momento em que encontrou Cristo e escutou o seu desafio, Paulo foi convocado para evangelizar. Ele apaixonou-se por Cristo, pelo seu projeto de libertação em favor de todos os homens; e essa “paixão” obriga-o a dar testemunho da Boa Nova de Jesus.
No Evangelho manifesta-se a eterna preocupação de Deus com a felicidade dos seus filhos. Na ação libertadora de Jesus em favor dos homens, começa a manifestar-se esse mundo novo sem sofrimento, sem opressão, sem exclusão que Deus sonhou para os homens. Os “milagres” de Jesus anunciam que Deus quer criar um mundo novo, onde não há impuros, nem proscritos, nem condenados; anunciam uma nova era, de homens novos, vivendo a plenitude da vida e da felicidade. É isso que Jesus veio fazer, e é essa a missão que os discípulos de Jesus devem procurar concretizar na terra.

Liturgia da Palavra do Domingo V do Tempo Comum

I Leitura                 Job 7, 1-4.6-7

«Agito-me angustiado até ao crepúsculo»

Job é o tipo de todo o homem que sofre e que não sabe encontrar explicação para o sofrimento. No entanto, ele sabe que o Senhor não é estranho a esse sofrimento; por isso, se abandona nas suas mãos, invocando-O e esperando a sua resposta. Se Job tivesse conhecido a Paixão de Cristo seguida da Ressurreição, teria encontrado resposta mais completa para a sua dor!    

Salmo     146 (147)
Louvai o Senhor,
que salva os corações atribulados

II Leitura:             1 Cor 9, 16-19.22-23

«Ai de mim se não evangelizar!»

O que leva S. Paulo a pregar o Evangelho é exclusivamente a consciência que tem de que o deve pregar para salvação de todos. Até o direito que tem de ser assistido materialmente pelos irmãos ele rejeita, para ficar mais livre na sua pregação. E é na fidelidade à urgência deste serviço na fé e no amor a Cristo que ele experimenta a alegria da liberdade.

Aclamação ao Evangelho                   Mt 8, 17

Cristo suportou as nossas enfermidades e tomou sobre Si as nossas dores.

Evangelho                             Mc 1, 29-39

«Curou muitas pessoas, atormentadas por várias doenças»

Ao contrário de Job, sofredor e incapaz de superar o mal, Jesus cura as doenças e expulsa os demónios. Assim Se afirma Senhor da vida e da morte, e anuncia desde já a ressurreição. E quer levar esta Boa Nova a toda a parte; por isso, não se deixa ficar preso pelos interesses, sempre limitativos, dos seus beneficiários, mas alarga a sua acção a todos os lados. Todavia esta actividade tão intensa não O impede de procurar um lugar ermo para aí orar ao Pai.        

O projeto de Deus para os homens e para o mundo não é um projeto de morte, mas de vida; o objetivo de Deus é conduzir os homens ao encontro desse mundo novo (o “Reino de Deus”) de onde estão ausentes o sofrimento, a maldição e a exclusão, e onde cada pessoa tem acesso à vida verdadeira, à felicidade definitiva, à salvação. Talvez nem sempre entendamos o sentido do sofrimento que nos espera em cada esquina da vida; talvez nem sempre sejam claros, para nós, os caminhos por onde se desenrolam os projetos de Deus… Mas Jesus veio garantir-nos absolutamente o empenho de Deus na felicidade e na libertação do homem. Resta-nos confiar em Deus e entregarmo-nos ao seu amor.
O encontro com Jesus e com o “Reino” é sempre uma experiência libertadora. Aceitar o convite de Jesus para O seguir e para se tornar “discípulo” significa a rutura com as cadeias de egoísmo, de orgulho, de comodismo, de autossuficiência, de injustiça, de pecado que impedem a nossa felicidade e que geram sofrimento, opressão e morte nas nossas vidas e nas vidas dos nossos irmãos. Quem se encontra com Jesus, escuta e acolhe a sua mensagem e adere ao “Reino”, assume o compromisso de conduzir a sua vida pelos valores do Evangelho e passa a viver no amor, no perdão, na tolerância, no serviço aos irmãos. É um “levantar-se”, um ressuscitar para a vida nova e eterna.
O exemplo de Jesus mostra que o aparecimento do “Reino de Deus” está ligado a uma vida de comunhão e de diálogo com Deus. Rezar não é fugir do mundo ou alienar-se dos problemas do mundo e dos dramas dos homens… Mas é uma tomada de consciência dos projetos de Deus para o mundo e um ponto de partida para o compromisso com o “Reino”. Só na comunhão e no diálogo íntimo com Deus percebemos os seus projetos e recebemos a força de Deus para nos empenharmos na transformação do mundo. É preciso, portanto, que o discípulo encontre espaço, na sua vida, para a oração, para o diálogo com Deus.

Palavra de Deus para a semana de 9 a 14 de fevereiro


9
Seg
 Gen 1, 1-19 - Salmo 103 (104) - Mc 6, 53-56
Jesus proclamava o Evangelho do reino
e curava todas as doenças entre o povo
10
Ter
S. Escolástica, virgem – MO
Gen 1, 20 – 2, 4a - Salmo 8 - Mc 7, 1-13
Inclinai o meu coração para as vossas ordens
e dai-me a graça de cumprir a vossa lei.
11
Qua
Nossa Senhora de Lurdes – MF
Gen 2, 4b-9. 15-17 - Salmo 103 (104) - Mc 7, 14-23
A vossa palavra, Senhor, é a verdade: consagrai-nos na verdade
12
Qui
Gen 2, 18-25 - Salmo 127 (128) - Mc 7, 24-30
Acolhei docilmente a palavra em vós plantada, que pode salvar as vossas almas
13
Sex
Gen 3, 1-8 - Salmo 31 (32) - Mc 7, 31-37
Abri, Senhor, o nosso coração, para recebermos a palavra do vosso Filho
14
Sáb
S. Cirilo, monge, e S. Metódio, bispo,
Padroeiros da Europa – FESTA
Act 13, 46-49 - Sal 116 (117) - Lc 10, 1-9
Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.


PREPARANDO A LITURGIA PARA O DOMINGO VI DO TEMPO COMUM


Lev 13, 1-2.44-46                               «O leproso deverá morar à parte, fora do acampamento»

Salmo    31 (32)                   Sois o meu refúgio, Senhor; dai-me a alegria da vossa salvação

1 Cor 10, 31 – 11, 1            «Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo»

Mc 1, 40-45                          «A lepra deixou-o e ele ficou limpo»

Intenções para a Eucaristia de 7 de fevereiro (18:30h)



Emídio Luís, Maria da Conceição Alves e filho; António Pinto Melo; Alexandre da Silva Azeredo; António da Silva Luís, do Lameu; Albino Teixeira Pinto e esposa, de Requim; familiares de Madalena Teixeira de Almeida e de António Casimiro Almeida; Rosa de Jesus Carneiro e Martinho Pinto, de Carvalho de Vila; Aniversário natalício de Ricardo Luís e 30.º dia de Palmira Pereira de Jesus; Fernando Pinto Melo; Ação de Graças do centenário de vida de Eugénia Vieira; Aniversário falecimento de António José Lino; 7.º dia de Manuel Madureira Vieira


Intenções para a Eucaristia de 15 de fevereiro (10:00h)



Luísa Pereira e marido, do Alto; Menino Carlos André; Maria da Conceição Soares; José de Azeredo e Silva; Associados da Mensagem de Fátima; José Araújo, das Lapas; da Associação por Manuel Madureira Vieira

Agenda

15 fev
    • Domingo VI Tempo Comum - Eucaristia, Igreja, 10:00h             

Como é que um Deus bom, cheio de amor, preocupado com a felicidade dos seus filhos, Se situa face ao drama do sofrimento humano? A única resposta honesta é dizer que não temos uma resposta clara e definitiva para esta questão. O “sábio” autor do livro de Job lembra-nos, contudo, a nossa pequenez, os nossos limites, a nossa finitude, a nossa incapacidade para entender os mistérios de Deus e para compreender os caminhos por onde se desenrolam os projetos de Deus. De uma coisa podemos estar certos: Deus ama-nos com amor de pai e de mãe e quer conduzir-nos ao encontro da vida verdadeira e definitiva, da felicidade sem fim… Talvez nem sempre sejamos capazes de entender os caminhos de Deus e a sua lógica… Mas, mesmo quando as coisas não fazem sentido do ponto de vista da nossa humana lógica, resta-nos confiar no amor e na bondade do nosso Deus e entregarmo-nos confiadamente nas suas mãos.
Para o cristão, o valor realmente absoluto e ao qual tudo o resto se deve subordinar é o amor. O cristão sabe que, em certas circunstâncias, pode ser convidado a renunciar aos próprios direitos e à própria liberdade, porque a caridade ou o bem dos irmãos assim o exigem. O amor é, para o cristão, o “bem maior”, em vista do qual ele pode renunciar a “bens menores”. O discípulo de Jesus não pode impor os seus direitos a qualquer preço, sobretudo quando esse preço implica desprezar os irmãos.
A expressão “ai de mim se não anunciar o Evangelho” traduz a atitude de quem descobriu Jesus Cristo e a sua proposta e sente a responsabilidade por passar essa proposta libertadora aos outros homens. Implica o dom de si, o esquecimento dos seus interesses e esquemas pessoais, para fazer da sua vida um dom a Cristo, ao Reino e aos outros irmãos. Para o discípulo de Jesus, o amor deve, sempre, estar acima dos próprios interesses e tornar-se dom, serviço, entrega total.




7 de fevereiro de 2015

Oração em Comunidade: Vésperas: As cinco chagas do Senhor - Festa

ORAÇÃO EM COMUNIDADE



VÉSPERAS
AS CINCO CHAGAS DO SENHOR

Festa


V.           Deus, vinde em nosso auxílio.
R.            Senhor, socorrei-nos e salvai-nos.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.


Hino

Cinco chagas, cinco fontes.
Com água de vida eterna,
Onde as almas sequiosas
Podem matar sua sede!

Depois de ressuscitar,
Guardou Cristo estes sinais
Do combate glorioso
Em que venceu o inimigo;

Para que as chagas visíveis
Mostrassem às gerações
A ferida invisível
Do amor mais forte que a morte:

Chagas puras e santíssimas
Que o nosso povo venera
E que na sua bandeira
São penhor da salvação.

Pelas chagas de seu Filho,
louvado seja Deus Pai
E o Espírito divino
Agora e sempre adoremos.

SALMODIA

Ant. 1       Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu.

Salmo            140 (141), 1-9

Senhor, a Vós clamo, socorrei-me sem demora, *
escutai a minha voz quando Vos invoco.

Suba até Vós a minha oração como incenso, *
elevem-se minhas mãos como oblação da tarde.

Guardai, Senhor, a minha boca, *
defendei a porta dos meus lábios.

Não deixeis meu coração inclinar-se para o mal, *
nem praticar a iniquidade com os malfeitores, †
nem tomar parte em seus lautos banquetes.

Castigue-me o justo *
e repreenda-me com misericórdia,
mas o óleo dos ímpios nunca me perfume a cabeça; *
enquanto fazem o mal, não deixarei de rezar.

Os seus chefes foram precipitados contra o rochedo *
e compreenderam como eram suaves as minhas palavras.

Tal como terra cavada e lavrada, *
foram seus ossos dispersos à boca do abismo.

Para Vós, Senhor Deus, se voltam os meus olhos; *
em Vós me refugio, não me desampareis.

Defendei-me do laço que me prepararam, *
defendei-me das ciladas dos malfeitores

Ant. 1       Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu.

Ant. 2       Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos.

Salmo 141 (142)

Em alta voz clamo ao Senhor, *
em alta voz imploro o Senhor.

Ponho diante d’Ele a minha aflição, *
diante d’Ele descubro a minha angústia.

Quando me desfalece o ânimo, *
Vós conheceis o meu caminho.
Na senda que vou trilhando *
esconderam um laço.

Olhai à direita, e vede: *
não há quem se interesse por mim.
Não encontro refúgio, *
não há quem olhe pela minha vida

Clamei por Vós, Senhor; *
disse: Sois o meu abrigo, †
a minha herança na terra dos vivos.

Atendei o meu clamor: *
estou reduzido à miséria.

livrai-me dos meus perseguidores: *
eles são mais fortes do que eu.

Tirai-me desta prisão *
e darei graças ao vosso nome.

Os justos hão-de rodear-me, *
pelo bem que me fizestes

Ant. 2    Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos.

Ant. 3      Mete a tua mão no meu lado e não sejas incrédulo mas fiel.

Cântico                                Filip 2, 6-11

Cristo Jesus, que era de condição divina, *
não Se valeu da sua igualdade com Deus, †
mas aniquilou-Se a Si próprio.

Assumindo a condição de servo, *
tornou-Se semelhante aos homens.

Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, *
obedecendo até à morte e morte de cruz.

Por isso, Deus O exaltou *
e Lhe deu o nome que está acima de todos os nomes,

para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem, *
no céu, na terra e nos abismos,

e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, *
para glória de Deus Pai

Ant. 3    Mete a tua mão no meu lado e não sejas incrédulo mas fiel.


Leitura breve                                                                   1 Pedro 2, 21b-24

Cristo sofreu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigamos os seus passos. Ele não cometeu pecado algum, e na sua boca não se encontrou engano. Insultado, não pagava com injúrias; maltratado, não respondia com ameaças. Mas entregava-Se Àquele que julga com justiça. Suportou os nossos pecados no seu Corpo sobre a cruz, a fim de que, mortos para os nossos pecados, vivamos para a justiça. Pelas suas Chagas fomos curados.

Responsório breve

V.  Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
R.  Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
V. Que pela vossa paixão remistes o mundo.
R.  Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
V. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
R.  Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.

Cântico Evangélico         Magnificat                         Lc 1,46-55   

Ant.       Jesus apareceu no meio dos seus discípulos e disse-lhes:
A paz esteja convosco. E tendo dito isto, mostrou-lhes
As mãos e o lado.

A minha alma glorifica ao Senhor *
 e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: *
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada                                        todas as gerações.
Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: *
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração *
sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço*
e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos *
e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens *
e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo, *
lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais, *
a Abraão e à sua descendência para sempre.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,*
C             omo era no princípio, agora e sempre. Amen.

Ant.       Jesus apareceu no meio dos seus discípulos e disse-lhes:
A paz esteja convosco. E tendo dito isto, mostrou-lhes
  As mãos e o lado.

Preces
Oremos a Cristo nosso Redentor, que pelas suas Chagas nos salvou; e digamos confiadamente:

Pelas vossas santas Chagas, perdoai-nos, Senhor.

Eterno Rei do mundo, que mostrastes aos Apóstolos as Chagas das mãos e dos pés,
— libertai o coração dos vossos fiéis de toda a dúvida e perturbação.

Supremo Juiz da humanidade, que curastes a incredulidade de São Tomé, fazendo-o tocar a Chaga do vosso lado,
— iluminai os olhos do nosso coração para Vos proclamarmos fielmente nosso Deus e Senhor.

Vítima divina, que, pregado no madeiro da cruz, tomastes sobre Vós o castigo dos nossos pecados,
— convertei-nos a Vós, Pastor e Guarda das nossas almas.

Filho de Deus, que do vosso Coração, ferido pela lança do soldado, fizestes brotar sangue e água,
— renovai continuamente a vossa Igreja com o cálice da salvação e a água da vida eterna.

Cordeiro de Deus, que pela vossa morte merecestes receber o poder, a sabedoria, a honra e a glória,
— fazei que descansem dos seus trabalhos os que morreram na vossa graça.

Pai Nosso…

Oração

Deus de infinita misericórdia, que por meio do vosso Filho Unigénito, pregado na cruz, quisestes salvar todos os homens, concedei-nos que, venerando na terra as suas santas Chagas, mereçamos gozar no Céu o fruto redentor do seu Sangue. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Amén.

«Hão-de olhar para Aquele que trespassaram»

Naquele tempo, sabendo que tudo estava consumado e para que se cumprisse a Escritura, Jesus disse:
«Tenho sede».
Estava ali um vaso cheio de vinagre. Prenderam a uma vara uma esponja embebida em vinagre e levaram-Lha à boca. Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou:
«Tudo está consumado».
E, inclinando a cabeça, expirou.
Por ser a Preparação da Páscoa, e para que os corpos não ficassem na cruz durante o sábado – era um grande dia aquele sábado – os judeus pediram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. Os soldados vieram e quebraram as pernas ao primeiro, depois ao outro que tinha sido crucificado com ele. Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados trespassou-Lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.
Aquele que viu é que dá testemunho e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que diz a verdade, para que também vós acrediteis.
Assim aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: «Nenhum osso lhe será quebrado». Diz ainda outra passagem da Escritura:
«Hão-de olhar para Aquele que trespassaram».
Jo 19, 28-37

O culto das Cinco Chagas do Senhor, isto é, as feridas que Cristo recebeu na cruz e manifestou aos Apóstolos depois da ressurreição, foi sempre uma devoção muito viva entre os portugueses, desde os começos da nacionalidade. São disso testemunho a literatura religiosa e a onomástica referente a pessoas e instituições. Os Lusíadas sintetizam (I, 7) o simbolismo que tradicionalmente relaciona as armas da bandeira nacional com as Chagas de Cristo. Assim os Romanos Pontífices, a partir de Bento XIV, concederam para Portugal uma festa particular que ultimamente veio a ser fixada neste dia.

1 de fevereiro de 2015

Domingo IV do Tempo Comum

Se hoje ouvirdes
a voz do Senhor,
não fecheis
os vossos corações


Salmo 94 (95)

A liturgia do 4º Domingo do Tempo Comum garante-nos que Deus não se conforma com os projetos de egoísmo e de morte que desfeiam o mundo e que escravizam os homens e afirma que Ele encontra formas de vir ao encontro dos seus filhos para lhes propor um projeto de liberdade e de vida plena.
A primeira leitura propõe-nos – a partir da figura de Moisés – uma reflexão sobre a experiência profética. O profeta é alguém que Deus escolhe, que Deus chama e que Deus envia para ser a sua “palavra” viva no meio dos homens. Através dos profetas, Deus vem ao encontro dos homens e apresenta-lhes, de forma bem percetível, as suas propostas. A vocação profética é uma vocação que surge por iniciativa de Deus. Ninguém é profeta por escolha própria, mas porque Deus o chama. O profeta tem de ter consciência, antes de mais, que é Deus quem está por detrás da sua escolha e do seu envio. O profeta não pode assumir uma atitude de arrogância e de autossuficiência, mas tem de se sentir um instrumento humilde através do qual Deus age no mundo.
A segunda leitura convida os crentes a repensarem as suas prioridades e a não deixarem que as realidades transitórias sejam impeditivas de um verdadeiro compromisso com o serviço de Deus e dos irmãos. As realidades terrenas são passageiras e efémeras e não devem, em nenhum caso, ser absolutizadas. Não se trata de propor uma evasão do mundo e uma espiritualidade descarnada, insensível, alheia ao amor, à partilha, à ternura; mas trata-se de avisar que as realidades desta terra não podem ser o objetivo final e único da vida do homem. Esta reflexão convida-nos a repensarmos as nossas prioridades, e a não ancorarmos a nossa vida em realidades transitórias.
O Evangelho mostra como Jesus, o Filho de Deus, cumprindo o projeto libertador do Pai, pela sua Palavra e pela sua ação, renova e transforma em homens livres todos aqueles que vivem prisioneiros do egoísmo, do pecado e da morte.
Jesus veio ao encontro dos homens para os libertar de tudo aquilo que os faz prisioneiros e lhes rouba a vida. A libertação que Deus quer oferecer à humanidade está a acontecer. O “Reino de Deus” instalou-se no mundo.

Liturgia da Palavra do Domingo IV do Tempo Comum

I Leitura                 Deut 18, 15-20

«Farei surgir um profeta e porei as minhas palavras na sua boca»

A leitura evangélica vai apresentar Jesus como Mestre a ensinar. É o que também significa a palavra do profeta, aquele que fala em nome de Deus. Profeta foi no Antigo Testamento Moisés. Mas é o próprio Moisés quem, nesta leitura, anuncia o aparecimento de outro profeta, que surgirá depois dele. Todo o povo do Antigo Testamento o esperou, embora não o tivesse sabido reconhecer na pessoa de Jesus de Nazaré. Admirável é que Deus fale aos homens por meio de outros homens; mas as palavras que eles hão-de dizer são as palavras de Deus. Como Deus tudo faz para que a sua palavra esteja perto de nós     
Salmo     94 (95)

Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações.

II Leitura:             1 Cor 7, 32-35

«A virgem preocupa-se com os interesses do Senhor, para ser santa»

O Apóstolo deseja que os cristãos vivam sem estarem prisioneiros de preocupações que os impeçam de servirem ao Senhor em liberdade de espírito. Por isso, vê no celibato consagrado ao Senhor, portanto por motivos de fé e de amor, uma forma superior de consagração de toda a pessoa, em corpo e espírito, ao serviço de Deus, mas que é sempre um dom seu. 

Aclamação ao Evangelho                   Mt 4, 16

O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz;
para aqueles que habitavam na sombria região da morte uma luz se levantou.

Evangelho             Mc 1, 21-28

«Ensinava-os como quem tem autoridade»

O ensino de Jesus reveste-se de autoridade única, porque Ele é o Filho, Enviado de Deus, e, por isso, as suas palavras são a própria Palavra de Deus. Ele é realmente o Profeta por excelência. Para os escribas, que ensinavam as Escrituras, a autoridade vinha-lhes das mesmas Escrituras e da tradição; para Jesus a autoridade vem-lhe de Ele ser o Filho de Deus e seu Messias. Para o manifestar, Jesus expulsa o demónio, mostrando assim que o poder demoníaco cessa diante do seu poder. Ele é “o mais forte”, como noutra passagem se diz.
                

O “homem com um espírito impuro” representa todos os homens e mulheres, de todas as épocas, cujas vidas são controladas por esquemas de egoísmo, de orgulho, de autossuficiência, de medo, de exploração, de exclusão, de injustiça, de ódio, de violência, de pecado. É essa humanidade prisioneira de uma cultura de morte, que percorre um caminho à margem de Deus e das suas propostas, que aposta em valores efémeros e escravizantes ou que procura a vida em propostas falíveis ou efémeras. Porém, Deus não desistiu da humanidade, Ele não Se conforma com o facto de os homens trilharem caminhos de escravidão e insiste em oferecer a todos a vida plena.
A proposta de Deus torna-se realidade viva e atuante em Jesus. Ele é o Messias libertador que, com a sua vida, com a sua palavra, com os seus gestos, com as suas ações, vem propor aos homens um projeto de liberdade e de vida. Ao egoísmo, Ele contrapõe a doação e a partilha; ao orgulho e à autossuficiência, Ele contrapõe o serviço simples e humilde a Deus e aos irmãos; à exclusão, Ele propõe a tolerância e a misericórdia; à injustiça, ao ódio, à violência, Ele contrapõe o amor sem limites; ao medo, Ele contrapõe a liberdade; à morte, Ele contrapõe a vida. O projeto de Deus, apresentado e oferecido aos homens nas palavras e ações de Jesus, é verdadeiramente um projeto transformador, capaz de renovar o mundo e de construir, desde já, uma nova terra de felicidade e de paz. É essa a Boa Nova que deve chegar a todos os homens e mulheres da terra.
Ser discípulo de Jesus é percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu e lutar, se necessário até ao dom total da vida, por um mundo mais humano, mais livre, mais solidário, mais justo, mais fraterno. Os seguidores de Jesus não podem ficar de braços cruzados, a olhar para o céu, enquanto o mundo é construído e dirigido por aqueles que propõem uma lógica de egoísmo e de morte; mas têm a grave responsabilidade de lutar, objetivamente, contra tudo aquilo que rouba a vida e a liberdade ao homem.


Palavra de Deus para a semana de 2 a 7 de fevereiro

2
Seg
 Apresentação do Senhor – FESTA
Mal 3, 1-4 ou Hebr 2, 14-18 - Salmo 23 (24) - Lc 2, 22-40 ou Lc 2, 22-32
Luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo.
3
Ter
S. Brás, bispo e mártir – MF               S. Anscário, bispo – MF
Hebr 12, 1-4 - Salmo 21 (22) - Mc 5, 21-43
Cristo suportou as nossas enfermidades e tomou sobre Si as nossas dores.
4
Qua
S. João de Brito, presbítero e mártir – MO
Hebr 12, 4-7. 11-15 - Salmo 102 (103) - Mc 6, 1-6
As minhas ovelhas escutam a minha voz, diz o Senhor;
Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me.
5
Qui
S. Águeda, virgem e mártir – MO
Hebr 12, 18-19. 21-24 - Salmo 47 (48) - Mc 6, 7-13
Está próximo o reino de Deus: arrependei-vos e acreditai no Evangelho
6
Sex
SS. Paulo Miki e Companheiros, mártires – MO
Hebr 13, 1-8 - Salmo 26 (27) - Mc 6, 14-29
Felizes os que recebem a palavra de Deus de coração sincero e generoso
e produzem fruto pela perseverança
7
Sáb
Cinco Chagas do Senhor – FESTA
Is 53, 1-10 - Salmo 21 (22) - Jo 19, 28-37 ou Jo 20, 24-29
Um dos soldados trespassou o lado do Senhor e logo saiu sangue e água


PREPARANDO A LITURGIA PARA O DOMINGO V DO TEMPO COMUM


Job 7, 1-4.6-7                      «Agito-me angustiado até ao crepúsculo»

Salmo   146 (147)               Louvai o Senhor, que salva os corações atribulados.

1 Cor 9, 16-19.22-23         «Ai de mim se não evangelizar!»

Mc 1, 29-39                          «Curou muitas pessoas, atormentadas por várias doenças»

Intenções para a Eucaristia de 1 de fevereiro (10:00h)

Albano Ferraz, do Carreiro; João de Jesus Pinto, de Requim, mãe e sogros; Natália Fernanda da Silva Alves e seus avós; Margarida Teixeira de Jesus, marido e filho; Antero Pinto; Maria Rosa Leal Pinheiro; Maria da Graça da Glória, marido e filho; Maria Adelaide Pinto Melo; António Antunes, esposa e filho; Pais, sogros e familiares falecidos de Fernando Moura; José Pinto da Silva



Intenções para a Eucaristia de 7 de fevereiro (18:30h)



Emídio Luís, Maria da Conceição Alves e filho; António Pinto Melo; Alexandre da Silva Azeredo; António da Silva Luís, do Lameu; Albino Teixeira Pinto e esposa, de Requim; familiares de Madalena Teixeira de Almeida e de António Casimiro Almeida; Rosa de Jesus Carneiro e Martinho Pinto, de Carvalho de Vila; Aniversário natalício de Ricardo Luís e 30.º dia de Palmira Pereira de Jesus; Fernando Pinto Melo

Agenda

1 fev
    • Domingo IV Tempo Comum - Eucaristia, igreja, 10:00h
7 fev
    • Oração de Vésperas 1º sábado, igreja, 10:00h
    • Domingo V Tempo Comum - Festa da Palavra - Eucaristia, Igreja, 18:30h        
02 de fevereiro                   FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR

Quarenta dias após o nascimento de Jesus, em obediência à lei de Moisés (Ex. 13, 11-13), Maria e José levam o Menino ao templo, a fim de ser oferecido ao Senhor. Como toda a oferta implica renúncia, a Apresentação do Senhor é já o começo do mistério do sofrimento redentor de Jesus, que atingirá o seu ponto culminante no Calvário. Maria e José unem-se à oferta do seu divino Filho estando a seu lado e colaborando, cada um a seu modo, na obra da Redenção.
Ao oferecer Jesus, Maria oferece-Se também com Ele. Durante toda a vida de Jesus, estará sempre ao lado do Filho, dando a Sua colaboração para a obra da Redenção.
O gesto de Maria, que «oferece», traduz-se em gesto litúrgico quando, ao celebrarmos a Eucaristia, oferecemos «os frutos da terra e do trabalho do homem», símbolo da nossa vida.
Esta festa já era celebrada em Jerusalém, no século IV. Chamava-se festa do encontro. Em 534, a festa estendeu-se a Constantinopla e, no tempo do Papa Sérgio, chegou a Roma e ao Ocidente. Em Roma, a festa incluía uma procissão até à Basílica de S. Maria Maior. No século X, começaram a benzer-se as velas, acesas em procissão em honra de Cristo que vem como luz das nações e ao encontro de quem a Igreja caminha guiada já por essa mesma luz.