5 de março de 2015

Oração em Comunidade: Vésperas I; Domingo III Quaresma

ORAÇÃO EM COMUNIDADE



 VÉSPERAS I

DOMINGO III QUARESMA


V.           Deus, vinde em nosso auxílio.
R.            Senhor, socorrei-nos e salvai-nos.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amén.



Hino

Crescem nas asperezas do caminho
Pequenas flores brancas de esperança;
Não podem os espinhos afogá-las,
Pois foi o amor quem as chamou à vida.
À semente do bem e da verdade
Mistura-se a cizânia do inimigo.
Estende-nos, Senhor, a tua mão,
Salva do mal os corações feridos.
O mundo inteiro pede a Deus justiça
Do fundo abismo de ódio e desespero;
E ouvimos Raquel, inconsolável,
Chorar os sonhos mortos de seus filhos.
Quando virá o luminoso dia
Em que, livres da morte e do pecado,
Cantemos a alegria que nos trouxe
A força do teu braço levantado?
Escuta a nossa voz, Trindade santa,
E faz que a penitência quaresmal
Confirme a nossa fé e nos conduza
Ao encontro de Cristo glorioso.

SALMODIA

Ant. 1 –  Arrependei-vos e acreditai no Evangelho, diz o Senhor.

Salmo 112 (113)
Hino ao nome do Senhor
Derrubou os poderosos de seus tronos,
e exaltou os humildes (Lc 1, 52).

 Louvai, servos do Senhor, *
louvai o nome do Senhor.

 Bendito seja o nome do Senhor, *
agora e para sempre. 

Desde o nascer ao pôr do sol, *
seja louvado o nome do Senhor. 

O Senhor domina sobre todos os povos, *
a sua glória está acima dos céus.

Quem se compara ao Senhor nosso Deus, *
que tem o seu trono nas alturas

e Se inclina lá do alto *
a olhar o céu e a terra?
Levanta do pó o indigente *
e tira o pobre da miséria,

para o fazer sentar com os grandes, *
com os grandes do seu povo,

e, no lar, transforma a estéril *
em ditosa mãe de família.

Ant. 1 –                 Arrependei-vos e acreditai no Evangelho, diz o Senhor.

Ant. 2 -   Oferecerei um sacrifício de louvor, invocando o nome do Senhor.

Salmo 115 (116 B)
Acção de graças no templo
Por Cristo ofereçamos sempre a Deus
um sacrifício de louvor (Hebr 13, 15).
 Confiei no Senhor, mesmo quando disse: *
«Sou um homem de todo infeliz».
 Na minha perturbação exclamei: *
«É falsa toda a segurança dos homens».
Como agradecerei ao Senhor *
tudo quanto Ele me deu?
 Elevarei o cálice da salvação, *
invocando o nome do Senhor.
Cumprirei as minhas promessas ao Senhor, *
na presença de todo o povo.
É preciosa aos olhos do Senhor *
a morte dos seus fiéis.
Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva: *
quebrastes as minhas cadeias.
Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor, *
invocando, Senhor, o vosso nome.
 Cumprirei as minhas promessas ao Senhor, *
na presença de todo o povo,
nos átrios da casa do Senhor, *
dentro dos teus muros, Jerusalém.

Ant. 2 -  Oferecerei um sacrifício de louvor, invocando o nome do Senhor.

Ant. 3 -   Ninguém Me tira a vida: sou Eu que a dou e a retomo.

Cântico                                Filip 2, 6-11

Cristo, Servo de Deus

Cristo Jesus, que era de condição divina, *
não Se valeu da sua igualdade com Deus, †
mas aniquilou-Se a Si próprio.
Assumindo a condição de servo, *
tornou-Se semelhante aos homens.
Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, *
obedecendo até à morte e morte de cruz.
Por isso Deus O exaltou *
e Lhe deu o nome que está acima de todos os nomes,
 para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem, *
no céu, na terra e nos abismos,
e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, *
para glória de Deus Pai.

Ant. 3 - Ninguém Me tira a vida: sou Eu que a dou e a retomo.

LEITURA BREVE                                                  2 Cor 6, 1-4a

Nós vos exortamos a que não recebais a graça de Deus em vão. Porque Ele diz: «No tempo favorável Eu te ouvi, nos dias da salvação Eu te ajudei». Eis o tempo favorável, eis os dias da salvação. Não dêmos escândalo a ninguém, para que o nosso ministério não seja desacreditado, mas mostremo-nos em tudo como ministros de Deus.

Responsório breve

V.  Tende compaixão de nós, Senhor,
porque somos pecadores.
R.Tende compaixão de nós, Senhor,
  porque somos pecadores.
V. Cristo, ouvi as súplicas dos que Vos imploram.
R. Porque somos pecadores.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Tende compaixão de nós, Senhor,
     porque somos pecadores.

Cântico Evangélico         Magnificat Lc 1,46-55

Ant. –   Nós pregamos a Cristo crucificado,
                que é a força e a sabedoria de Deus

A minha alma glorifica ao Senhor *
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.

      Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: *
      de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.

Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: *
Santo é o seu nome.

      A sua misericórdia se estende de geração em geração *
      sobre aqueles que O temem.

Manifestou o poder do seu braço *
e dispersou os soberbos.

      Derrubou os poderosos de seus tronos *
      e exaltou os humildes
.
Aos famintos encheu de bens *
e aos ricos despediu de mãos vazias.

      Acolheu a Israel, seu servo, *
      lembrado da sua misericórdia,

como tinha prometido a nossos pais, *
a Abraão e à sua descendência para sempre.

      Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,*
      como era no princípio, agora e sempre. Amen.

Ant. –   Nós pregamos a Cristo crucificado,
                que é a força e a sabedoria de Deus

PRECES

Glorifiquemos a Cristo Jesus, que Se fez nosso mestre, exem­plo e irmão, e supliquemos, dizendo:
Renovai, Senhor, o vosso povo.

Senhor Jesus Cristo, que Vos tornastes semelhante a nós em tudo menos no pecado, ensinai-nos a alegrar-nos com os que se alegram e a chorar com os que choram,
— para que a nossa caridade aumente cada vez mais.
Ensinai-nos a matar a vossa fome nos que têm fome
— e a mitigar a vossa sede nos que têm sede.
Vós que ressuscitastes Lázaro do sono da morte,
— fazei que os que estão mortos no pecado voltem à vida pela fé e pela penitência.
Aumentai o número dos que querem seguir mais de perto o vosso caminho de perfeição,
— a exemplo da bem-aventurada Virgem Maria e dos Santos.
Concedei aos defuntos a glória da ressurreição,
— para gozarem eternamente do vosso amor.

Pai Nosso…

Oração

Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no amor fraterno os remédios do pecado, olhai benigno para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Nosso Se­nhor Jesus Cristo que é Deus convosco na unidade do Espírito santo,
Amén

«Destruí este templo e em três dias o levantarei»


Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados às bancas. Fez então um chicote de cordas e expulsou-os a todos do templo, com as ovelhas e os bois; deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou-lhes as mesas; e disse aos que vendiam pombas: «Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio». Os discípulos recordaram-se do que estava escrito: «Devora-me o zelo pela tua casa». Então os judeus tomaram a palavra e perguntaram-Lhe: «Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo?». Jesus respondeu-lhes: «Destruí este templo e em três dias o levantarei». Disseram os judeus: «Foram precisos quarenta e seis anos para se construir este templo e Tu vais levantá-lo em três dias?». Jesus, porém, falava do templo do seu corpo. Por isso, quando Ele ressuscitou dos mortos, os discípulos lembraram-se do que tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra de Jesus.
Enquanto Jesus permaneceu em Jerusalém pela festa da Páscoa, muitos, ao verem os milagres que fazia, acreditaram no seu nome. Mas Jesus não se fiava deles, porque os conhecia a todos e não precisava de que Lhe dessem informações sobre ninguém: Ele bem sabia o que há no homem.
Jo 2, 13-25

1 de março de 2015

Pagela Domingo III Quaresma

“Abre a tua porta à alegria do Evangelho”
Caminhada para uma Quaresma com Páscoa

3ª Semana - Edifica

           V/ Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.       R/Ámen.
1. Convite à oração: Somos nós o Templo de Deus, a sua morada. Precisamos de purificar este Templo, de cuidar do nosso espaço interior, para o encontro com o Senhor, para nos deixarmos habitar, pela Sua presença. Esta é uma outra forma de construir «uma casa para a alegria do evangelho». Mas, para que o Senhor nos possa habitar, é preciso cuidar dos acabamentos interiores, «arrumar a casa», reordenar os tempos e espaços, isolá-la dos ruídos e de tantas infiltrações, que perturbam a nossa intimidade e amizade com Ele. Procuremos fazer um pouco de silêncio: silêncio do coração (sem preocupações que nos perturbem), silêncio dos olhos, (sem imagens que nos distraiam), silêncio das palavras (sem ruídos que nos desviem a nossa atenção). Façamos um breve silêncio e, depois escutemos a Palavra:
2. Leitura do Evangelho: “Jesus respondeu-lhes: «Destruí este templo e em três dias o levantarei». Disseram os judeus: «Foram precisos quarenta e seis anos para se construir este templo, e Tu vais levantá-lo em três dias?». Jesus, porém, falava do templo do Seu Corpo”
3. Breve diálogo sobre este evangelho
a) Jesus fala de destruir e de edificar. Todos sabemos que há palavras e gestos que nos destroem, que nos deitam por terra. Mas também há palavras e gestos que nos levantam, edificam, animam, motivam, reconstroem.
b) Na nossa vida, há pessoas que tem especial responsabilidade na construção da nossa personalidade e da nossa vida, da nossa casa. Pensemos em pessoas, que nos «edificam» com o seu exemplo, a sua palavra, o seu ensino, o seu testemunho. E ajudam a «construir a nossa casa sobre a rocha» firme.
4. Gesto: Escrever na 3ª porta o nome de três pessoas “edificantes” na nossa vida (por exemplo: professores, catequistas, outros. Esta semana, saberemos recordar-nos daqueles que nos indicam o caminho, rezando por essas pessoas, telefonando-lhes, visitando-as…
5. Pai-Nosso
6. Oração conclusiva: 

V/ Senhor, ficai connosco, edificai a nossa casa! Que no interior da nossa casa, encontremos em Vós um refúgio, ao sairmos de casa, Vos tenhamos por companheiro, ao regressarmos a casa, Vos sintamos como hóspede, até que um dia cheguemos felizmente à morada para nós preparada, na casa do vosso Pai. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.               R: Ámen.

Pagela Domingo II Quaresma

“Abre a tua porta à alegria do Evangelho”
Caminhada para uma Quaresma com Páscoa

2ª Semana - Levanta-te

           V/ Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.       R/Ámen.
1. Convite à oração: Também a nós, como a Pedro, Tiago e João, Jesus convida a “subir para um lugar retirado num alto monte”, onde possamos experimentar a beleza do encontro com Ele, sem as perturbações do ruído da cidade. Que este breve momento de oração nos ajude a estar «em família», «entre amigos», com Jesus no nosso meio. Digamos ao Senhor: “Que bom é estarmos aqui” (Mc.9,5).
2. Leitura do Evangelho: : “Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles” (cf. Mc.9,2-10).

3. Breve diálogo sobre este evangelho:
a)A certa altura, Jesus sentiu que os discípulos não estavam preparados para o escândalo da cruz. Por isso quis oferecer-lhes uma visão diferente da vida e da morte, de modo que não desanimassem nem se assustassem perante as dificuldades. Convidou-os a levantar-se, a subir a montanha. E eles viveram uma experiência do encontro com Cristo. Agora sabem que, para lá da cruz, está a luz. Para lá da morte, está a ressurreição. Mas no fim deste luminoso encontro, Jesus desafia-os a retomar o caminho: “Levantai-vos e não temais”.
b) Em família, todos sabemos o que custa “levantar-se” (da cama, da mesa, da oração), para voltar ao trabalho diário. “Estes momentos preciosos de repouso, de uma pausa com o Senhor na oração, talvez gostássemos de poder prolongá-los. Mas, como São José, temos de despertar do nosso sono; devemos levantar-nos e agir (cf. Rm 13, 11). A fé não nos tira do mundo, mas insere-nos mais profundamente nele. Isto é muito importante. Devemos caminhar em profundidade no mundo, mas com a força da oração.
4. Gesto: Escrever na 2ª porta o nome de três pessoas, que te ajudam a levantar, ou que precisam da tua ajuda, para se levantarem, isto é, para se reanimarem, para retomarem a sua atividade. Durante esta semana não deixarás de os “tocar” e ajudares a “levantar”.
5. Pai-Nosso

6. Oração conclusiva: Senhor, quando o desânimo e o medo nos fecharem dentro de portas, vinde até nós e dai-nos a vossa mão. Levantai-nos, cada manhã, Encorajai-nos para um novo dia, para que nunca nos faltem a vossa luz e a vossa completa alegria.            R: Ámen.

Domingo II da Quaresma

«Este
é o meu Filho muito amado:

escutai-O».


No segundo Domingo da Quaresma, a Palavra de Deus define o caminho que o verdadeiro discípulo deve seguir para chegar à vida nova: é o caminho da escuta atenta de Deus e dos seus projectos, o caminho da obediência total e radical aos planos do Pai.

O Evangelho relata a transfiguração de Jesus. Recorrendo a elementos simbólicos do Antigo Testamento, o autor apresenta-nos uma catequese sobre Jesus, o Filho amado de Deus, que vai concretizar o seu projeto libertador em favor dos homens através do dom da vida. Aos discípulos, desanimados e assustados, Jesus diz: o caminho do dom da vida não conduz ao fracasso, mas à vida plena e definitiva. Segui-o, vós também.
Na primeira leitura apresenta-se a figura de Abraão como paradigma de uma certa atitude diante de Deus. Abraão é o homem de fé, que vive numa constante escuta de Deus, que aceita os apelos de Deus e que lhes responde com a obediência total (mesmo quando os planos de Deus parecem ir contra os seus sonhos e projetos pessoais). Nesta perspetiva, Abraão é o modelo do crente que percebe o projeto de Deus e o segue de todo o coração.
A segunda leitura lembra aos crentes que Deus os ama com um amor imenso e eterno. A melhor prova desse amor é Jesus Cristo, o Filho amado de Deus que morreu para ensinar ao homem o caminho da vida verdadeira. Sendo assim, o cristão nada tem a temer e deve enfrentar a vida com serenidade e esperança.
Deus ama-nos com um amor profundo, total, radical, que nada nem ninguém consegue apagar ou eliminar. Esse amor veio ao nosso encontro em Jesus Cristo, atingiu a nossa existência e transformou-a, capacitando-nos para caminharmos ao encontro da vida eterna. Ora, antes de mais, é esta descoberta que Paulo nos convida a fazer… Nos momentos de crise, de desilusão, de perseguição, de orfandade, quando parece que todo o mundo está contra nós e que não entende a nossa luta e o nosso compromisso, a Palavra de Deus grita: “não tenhais medo; Deus ama-vos”.

Liturgia da Palavra do Domingo II da Quaresma

I Leitura                 Gen 22, 1-2.9a.10-13.15-18

O sacrifício do nosso Patriarca Abraão

Depois da história de Noé, no domingo passado, lemos hoje a história de Abraão e do sacrifício de seu filho Isaac, sobre o monte Moriá. Mas Deus nunca quis sacrifícios humanos. Abraão demonstrou a sua vontade de completa obediência a Deus e recuperou o seu filho, vivo, que assim se tornou uma figura de Cristo na sua ressurreição.   

 Salmo                    115 (116)

Caminharei na terra dos vivos
na presença do Senhor.

II Leitura:             Rom 8, 31b-34

«Deus não poupou o seu próprio Filho»

Esta leitura mostra como Jesus realiza até ao fim a figura de Isaac, anunciada na leitura anterior, e como o amor de Abraão é imagem do amor infinito de Deus pelos homens. Deus, que não quis que Abraão Lhe oferecesse o filho em sacrifício, permitiu que o seu muito amado filho Jesus fosse sacrificado, em expiação dos nossos pecados. De facto, toda a história da salvação atinge o seu ponto mais alto em Nosso Senhor Jesus Cristo

Aclamação ao Evangelho  

No meio da nuvem luminosa, ouviu-se a voz do Pai:
«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».

Evangelho             Mc 9, 2-10

«Este é o meu Filho muito amado»

A Transfiguração, lida neste Domingo, depois de, no Domingo anterior, ter sido escutada a tentação, faz com ela, como que num grande painel de duas alas, uma espécie de grande abertura da Quaresma: mortificação e glorificação, tentação e glória, morte e ressurreição; são elas, de facto, a síntese do Mistério Pascal que vamos celebrar na Páscoa. Jesus vive em Si o mistério que a sua Igreja agora celebra, e que ela viverá até à sua própria Transfiguração.

Pela transfiguração de Jesus, Deus demonstra aos crentes de todas as épocas e lugares que uma existência feita dom não é fracassada – mesmo se termina na cruz. A vida plena e definitiva espera, no final do caminho, todos aqueles que, como Jesus, forem capazes de pôr a sua vida ao serviço dos irmãos.
Na verdade, os homens do nosso tempo têm alguma dificuldade em perceber esta lógica… Para muitos dos nossos irmãos, a vida plena não está no amor levado até às últimas consequências, mas sim na preocupação egoísta com os seus interesses pessoais, com o seu orgulho, com o seu pequeno mundo privado; não está no serviço simples e humilde em favor dos irmãos (sobretudo dos mais débeis, dos mais marginalizados, dos mais infelizes), mas no assegurar para si próprio uma dose generosa de poder, de influência, de autoridade, de domínio, que dê a sensação de pertencer à categoria dos vencedores; não está numa vida vivida como dom, com humildade e simplicidade, mas numa vida feita um jogo complicado de conquista de honras, de glórias, de êxitos.
Por vezes somos tentados pelo desânimo, porque não percebemos o alcance dos esquemas de Deus; ou então, parece que, seguindo a lógica de Deus, seremos sempre perdedores e fracassados, que nunca integraremos a elite dos senhores do mundo e que nunca chegaremos a conquistar o reconhecimento daqueles que caminham ao nosso lado… A transfiguração de Jesus grita-nos, do alto daquele monte: não desanimeis, pois a lógica de Deus não conduz ao fracasso, mas à ressurreição, à vida definitiva, à felicidade sem fim.
Os três discípulos, testemunhas da transfiguração, parecem não ter muita vontade de “descer à terra” e enfrentar o mundo e os problemas dos homens. No entanto, ser seguidor de Jesus obriga a “regressar ao mundo” para testemunhar aos homens – mesmo contra a corrente – que a realização autêntica está no dom da vida; obriga a atolarmo-nos no mundo, nos seus problemas e dramas, a fim de dar o nosso contributo para o aparecimento de um mundo mais justo e mais feliz.

Palavra de Deus para a semana de 2 a 7 de março


2
Seg
Dan 9, 4b-10 - Salmo 78 (79) - Lc 6, 36-38 
As vossas palavras, Senhor, são espírito e vida:
Vós tendes palavras de vida eterna
3
Ter
Is 1, 10. 16-20 - Salmo 49 (50) - Mt 23, 1-12
Deixai todos os vossos pecados, diz o Senhor;
criai um coração novo e um espírito novo
4
Qua
Jer 18, 18-20 - Salmo 30 (31) - Mt 20, 17-28
Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor. Quem Me segue terá a luz da vida.
5
Qui
Jer 17, 5-10 - Salmo 1 - Lc 16, 19-31
Bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus
com coração nobre e generoso e produzem fruto pela perseverança
6
Sex
Gen 37, 3-4. 12-13a. 17b-28 - Salmo 104 (105) -  Mt 21, 33-43. 45-46
Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito;
quem acredita n’Ele tem a vida eterna
7
Sáb
Miq 7, 14-15. 18-20 - Salmo 102 (103) - Lc 15, 1-3. 11-32
Vou partir, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti.


PREPARANDO A LITURGIA PARA O DOMINGO III DA QUARESMA


Ex 20, 1-17                           «A lei foi dada por Moisés» (Jo 1, 17

Salmo  18 (19)                     Senhor, Vós tendes palavras de vida eterna.

1 Cor 1, 22-25                     «Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os homens,
mas sabedoria de Deus para os que são chamados»

Jo 2, 13-25                           «Destruí este templo e em três dias o levantarei»

Intenções para a Eucaristia de 1 de março (10:00h)



João de Jesus Pinto, de Requim, mãe e sogros; Natália Fernanda da Silva Alves e seus avós; Margarida Teixeira de Jesus, marido e filho; Maria Rosa Leal Pinheiro; Maria da Graça da Glória, marido e filho; Aniversário natalício de Manuel Vieira Ribeiro; Aniversário falecimento de Maria Pereira

Intenções para a Eucaristia de 7 de março (18:30h)

Antero Pinto e filho; Aniversário falecimento de Maria Rosa Vieira e Joaquim Pinto Vieira; Emídio Luís, Maria da Conceição Alves e filho; António Pinto Melo; Alexandre da Silva Azeredo; António da Silva Luís, do Lameu; Rosa de Jesus Carneiro e Martinho Pinto, de Carvalho de Vila; Familiares de Madalena Teixeira de Almeida e de António Casimiro Almeida; Albino Teixeira pinto e esposa , de Requim

Agenda

1 mar
    • Adoração Santíssimo Sacramento, Igreja, 15:00h                      
      7 mar
    •       Domingo III Quaresma – Eucaristia, Igreja, 18:30h    


Deus é, para Abraão, o valor máximo, a prioridade fundamental; por isso, Abraão mostra-se disposto a fazer a Deus um dom total e irrevogável de si próprio, da sua família, do seu futuro, dos seus sonhos, das suas aspirações, dos seus projetos, dos seus interesses. Para Abraão, nada mais conta quando estão em jogo os planos de Deus…
Na vida do homem do nosso tempo, contudo, nem sempre Deus ocupa o lugar central que Lhe é devido. Com frequência, o dinheiro, o poder, a carreira profissional, o reconhecimento social, o sucesso, ocupam o lugar de Deus e condicionam as nossas opções, os nossos interesses, os valores que nos orientam. Abraão, o crente para quem Deus é a coordenada fundamental à volta da qual toda a vida se constrói convida-nos, nesta Quaresma, a rever as nossas prioridades e a dar a Deus o lugar que Ele merece.
Na sua relação com Deus, manifesta uma vasta gama de “qualidades” – a reverência, o respeito, a humildade, a disponibilidade, a obediência, a confiança, o amor, a fé – que o definem como o crente “ideal”, o modelo para os crentes de todas as épocas. Neste tempo de preparação para a Páscoa, são estas “qualidades” que nos são propostas, também. É preciso que realizemos um caminho de conversão que nos torne cada vez mais atentos e disponíveis para acolher e para viver na fidelidade aos planos de Deus.

Abraão ensina-nos, ainda, a confiar em Deus, mesmo quando tudo parece cair à nossa volta e quando os caminhos de Deus se revelam estranhos e incompreensíveis. Quando os nossos projetos se desmoronam, quando as nuvens negras da guerra, da violência, da opressão se acastelam no horizonte da nossa existência, quando o sofrimento nos leva ao desespero, é preciso continuar a caminhar serenamente, confiando nesse Deus que é a nossa esperança e que tem um projeto de vida plena para nós e para o mundo. Fazer de Deus o centro da própria existência e renunciar aos próprios critérios e interesses para cumprir os planos de Deus não é uma escravidão, mas um caminho que nos garante - a nós e aos nossos irmãos - o acesso à vida plena e verdadeira.